
... Os pensamentos na verdade surgem, na maioria das vezes, em momentos de desventuras. Momentos dois quais nos refugiamos em nossos “iglus” imaginários nos remetendo ao encontro com nosso subconsciente. O que carinhosamente denominamos de eu interior. A figura do “solitário” torna-se propício em momentos de reflexão. Precisamos nos excluir do externo, do ativo, do cotidiano propriamente dito, para analisar o conjunto de nossa obra. Análise, palavra chave quando cortamos o cordão umbilical com o Mundo e iniciamos a julgar capciosamente nossos atos e “desatos” perante a vida.
É fascinante como passado, futuro e presente (não necessariamente nessa mesma ordem) são equivalentes em nossas viagens pela superfície do planeta cérebro. Unimos dezenas de episódios que aconteceram, acontecerão e acontecem em nossa trilha diária do viver. Relembramos nossos sonhos, nossos anseios, nossas vitórias, nossas “ilustres” derrotas. Mas por ironia da saga humana, em nossas reflexões, sobre saem nossas formulações errôneas, deformidades, imperfeições, ou seja, parece que enclausuramos nossas virtudes e focamos em nossas falhas.
Acreditamos que buscando as distorções do sensato, alcançaremos a perfeição do adequado. Sendo que perfeição é algo que, desde os primórdios é buscado pelos povos, e cada vez mais se caracteriza por um “ser” inexistente. Temos nosso corpo invadido pelo sentimento de cobrança e de forma pretensiosa, iniciamos o fardo perfeccionista
Mas afinal, o que seria de nós sem as fatídicas requisições em nossas ponderações? O que seriam das turnês pelo córtex encefálico, sem nossos conflitos temporais? O que seriam de nossos esconderijos ilusórios, sem nossos motins com o mundo real? O que seriam de nossos pensamentos, sem a antítese de certo e errado, rondando eternamente e minuciosamente nossas vidas? As interrogações se tornam exclamações quando, percebemos que os deslizes são meros acasos para que cada vez mais, mesmo que de forma quase imperceptível, nos tornemos melhores seres humanos.
Acho que focar nas virtudes próprias e as dos outros é muito mais interessante para todos, difícil é conseguir fazer isso rs.
ResponderExcluirGostei muito do texto, cara.
Parabéns.
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